Jogar à Bola

O jogo da bola foi algo habitual ao longo de todo o século XX na Vila de Valongo do Vouga, quer no meio infantil, quer no meio juvenil, especialmente entre vizinhos e grupos de amigos.

A bola podia ser qualquer coisa mais ou menos esférica. Na falta de melhor, usava-se qualquer coisa que rolasse, como uma pedra, uma lata vazia ou uma bola de trapos.

A baliza (marca no chão) podia ser feita com o que estivesse à mão: pedras, paus, tijolos, paralelos, camisolas, mochilas da escola, etc.

O campo podia ser a estrada, um largo, um pinhal, uma terra, um pátio...

O jogo podia durar até a mãe do dono da bola chamar ou até escurecer.

As equipas formavam-se quando os jogadores se dividiam por dois grupos, sem que nenhum ficasse no banco.

Podiam ocorrer substituições caso a mãe ou a avó de algum jogador o viesse buscar pelas orelhas para fazer os deveres (ou qualquer outra tarefa em falta) ou se alguém aparecesse no decorrer do jogo e quisesse entrar.

Não havia árbitros, pequenas discussões resolviam as divergências.

Poderiam acontecer pequenas interrupções se a bola saísse para fora do campo designado ou se passassem veículos de grande porte no campo.

Os casos de litígio eram resolvidos à porrada e as feridas e os joelhos esfolados eram resolvidos em casa com mercúrio e água oxigenada.